Infiltração de corticoide na ortopedia: o que ninguém te contou!
A infiltração de corticoide na ortopedia é um dos procedimentos mais conhecidos e também mais controversos.
Enquanto muitos pacientes a enxergam como uma solução rápida para a dor, poucos conhecem os riscos envolvidos e as situações em que o uso pode ser mais prejudicial do que benéfico.
Afinal, a infiltração é apenas um “analgésico potente” ou pode impactar a saúde das articulações e tendões a longo prazo?
Antes de decidir pelo procedimento, é fundamental saber o que realmente está por trás dessa técnica tão utilizada.
Entenda melhor neste artigo!
O que é o corticoide e qual é a sua função?
Também chamado de corticosteroide, trata-se de uma substância sintética desenvolvida a partir de hormônios produzidos naturalmente pelas glândulas suprarrenais.
Ou seja, é uma versão fabricada em laboratório de um hormônio que já existe no organismo.
Sua principal característica é a potente ação anti-inflamatória.
Quando corretamente indicado, o corticoide ajuda a reduzir a dor, controlar processos inflamatórios e melhorar a mobilidade articular, sendo uma ótima alternativa em fases agudas de dor.
Em quadros marcados por inflamação intensa de articulações, bursas e tendões, a infiltração com corticoide pode trazer alívio.
Porém, não devemos encarar o procedimento como um tratamento e sim apenas algo que melhora os sintomas temporariamente para casos que não tem a própria inflamação como causa do problema (como em problemas autoimunes por exemplo).
Além disso, é importante destacar que o uso do corticoide exige cautela em casos de estruturas já lesionadas ou enfraquecidas.
Isso porque, a medicação pode interferir na produção de colágeno e na síntese tecidual, prejudicando o processo de cicatrização, especialmente em tendões e ligamentos.
Em situações como lesões parciais do manguito rotador ou tendinopatias do cotovelo, como a epicondilite lateral ou epicondilite medial com comprometimento parcial do tendão, a infiltração pode até aliviar a dor temporariamente. Porém, existe o risco de enfraquecimento progressivo do tendão ao longo do tempo.
Nestes casos específicos, a infiltração enfraquece o tendão se realizada repetidamente e leva a uma piora do quadro, principalmente em pessoas de alta demanda (esportistas).
Para pessoas com lesão parcial de tendão, seja do manguito rotador ou epicondilite lateral/medial, o melhor caminho é buscar a recuperação da estrutura lesionada através de processo de cicatrização e regeneração tecidual.
Para este fim, temos um artigo completo sobre medicina regenerativa como a terapia com o plasma rico em plaquetas (PRP) associado ao ácido hialurônico, confira!
Neste procedimento, coletamos sangue da propria pessoa, processamos e obtemos a parte mais cicatrizante do sangue (o plasma rico em plaquetas). Então, associamos ao ácido hialurônico, substância naturalmente presente no organismo, e aplicamos no local da lesão.
Este tratamento estimula a cicatrização e a regeneração do tecido lesionado. deste modo, favorece a resolução do problema e não apenas a melhora temporária dos sintomas.
Infiltração de corticoide na ortopedia: o que é importante saber?
As infiltrações com corticoide são muito utilizadas na ortopedia como estratégia para reduzir a inflamação e aliviar a dor em articulações, tendões e até em algumas condições da coluna, como nos quadros relacionados a alterações dos nervos e dos discos (como a hérnia de disco).
Apesar de serem amplamente conhecidas, ainda existem muitas dúvidas sobre os diferentes tipos de corticoides, seus efeitos e possíveis riscos.
Quando se fala em corticoide, é importante entender que não se trata de uma única medicação, mas de um grupo de fármacos com características distintas.
Existem corticoides de ação predominantemente local, que apresentam baixa absorção sistêmica e, por isso, têm menor probabilidade de causar efeitos como inchaço ou aumento do apetite.
Também há corticoides de ação curta, que permanecem ativos por algumas horas ou até um dia, e corticoides de ação prolongada, que podem agir por semanas ou até meses no local da aplicação.
Os corticoides de ação prolongada, quando aplicados em tendões, acarretam maior risco de rotura.
Em alguns casos, seu uso pode aumentar o risco de enfraquecimento da estrutura tendínea e, potencialmente, favorecer problemas de cicatrização ou até roturas futuras.
Já os corticoides de ação mais curta tendem a apresentar menor risco de dano estrutural a longo prazo, podendo proporcionar alívio temporário da dor com perfil de segurança diferente.
A escolha do tipo de corticoide e da indicação adequada depende de uma avaliação criteriosa.
Existem opções que podemos usar inclusive em pacientes com condições como diabetes, com menor impacto no controle glicêmico.
Entretanto, muitos corticoides, especialmente os mais antigos, podem estar associados a efeitos colaterais como retenção de líquido, descompensação da glicemia e elevação da pressão arterial.
Por isso, embora o uso de corticoides exija cuidado e não seja indicado de forma indiscriminada, existem situações específicas em que a infiltração pode ser útil e segura.
Como realizamos o procedimento? Em quanto tempo o paciente começa a perceber os efeitos?
A infiltração com corticoide é um procedimento realizado em ambiente clínico apropriado ou, em algumas situações específicas, em centro cirúrgico, sempre respeitando critérios de segurança e assepsia.
Antes da aplicação, fazemos uma antissepsia rigorosa da pele e, em geral, utilizamos anestesia local para tornar o procedimento mais confortável ao paciente.
Em muitos casos, podemos realizar a infiltração apenas com base na anatomia clínica bem definida.
Contudo, quando há alterações anatômicas importantes, desgaste articular acentuado ou necessidade de maior precisão, principalmente em articulações profundas, podemos utilizar métodos de imagem como ultrassonografia, radiografia ou, mais raramente, tomografia.
Quer saber como combater ou prevenir o desgaste articular, acesse esse artigo completo em nosso site!
O procedimento costuma ser rápido, com duração média de cerca de 15 minutos.
Após a aplicação, geralmente liberamos o paciente para casa no mesmo dia.
Recomendamos também um período de repouso relativo entre 24 e 48 horas, evitando esforços intensos na região tratada, embora essa orientação possa variar conforme a articulação infiltrada e o quadro clínico.
Os efeitos não são necessariamente imediatos.
Embora alguns pacientes percebam melhora nas primeiras horas devido ao anestésico associado, o efeito anti-inflamatório do corticoide costuma se manifestar ao longo de alguns dias e pode evoluir progressivamente nas semanas seguintes.
Infiltração de corticoide na ortopedia: Quando procurar o Dr. Guilherme Noffs?
Como explicamos, a infiltração de corticoide na ortopedia pode ser uma alternativa viável para controlar dor e inflamação, mas não deve ser realizada de forma automática ou indiscriminada.
O momento ideal para procurar o especialista é quando há dor no ombro que não melhora com medidas iniciais, como repouso, uso de analgésicos, fisioterapia e ajustes nas atividades do dia a dia.
Também é preciso buscar avaliação quando o desconforto limita movimentos, interfere no sono ou compromete atividades simples, como vestir-se ou elevar o braço.
Nessas situações, é necessário investigar a causa do incômodo, pois nem todos os quadros inflamatórios se beneficiam do corticoide.
A decisão pela infiltração deve considerar o diagnóstico preciso, a fase da lesão, as condições clínicas do paciente e os objetivos do tratamento.
Em alguns casos, podemos indicar a infiltração para controlar uma crise inflamatória específica.
Em outros, alternativas como reabilitação direcionada ou a aplicação de células-tronco no ombro podem ser mais adequadas.
Por isso, a avaliação com o ortopedista especialista é essencial para definir se o procedimento é realmente a melhor estratégia.
Dessa forma, evitamos riscos desnecessários e priorizamos a saúde da articulação a longo prazo.
Se você apresenta dor no ombro e deseja saber se a infiltração é indicada para o seu caso, marque uma consulta com o Dr. Guilherme Noffs, especialista em procedimentos minimamente invasivos no ombro, para uma avaliação personalizada!
Conheça o Dr. Guilherme Noffs
Dr. Guilherme atende em consultório particular como ortopedista de Ombro e Cotovelo e Especialista em Terapias da Dor no Hospital Albert Einstein Perdizes e na Clínica SEBE, Vila Mariana.
Além disso, atua no atendimento de urgências no Hospital Albert Einstein e realiza cirurgias nos Hospitais Sírio-Libanês, São Luiz - Rede D'Or e São Camilo.














