Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e manguito rotador: a medicina regenerativa trata estas lesões?

Por Dr. Guilherme Noffs, ortopedista especialista em ombro e cotovelo, Medicina do Esporte (USP · UNIFESP · Hospital Israelita Einstein) | CRM-SP 144.245 | RQE 81212 | @guilhermenoffs.ortopedista

 

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Atualizado em 11 de setembro de 2026 · Leitura: 14 minutos · Conteúdo revisado pelo autor com base em ensaios clínicos e metanálises

Figura 1. O PRP é preparado com o sangue do próprio paciente. No manguito rotador, a pergunta é para qual lesão, em que momento e com que objetivo.

"Doutor, eu vi que existe uma injeção que regenera o tendão. Dá para fazer no meu ombro e fugir da cirurgia?" Ouço essa pergunta quase todos os dias, geralmente de alguém que chega com a ressonância na mão, a palavra rotura sublinhada no laudo e dificuldade para dormir sobre o lado dolorido.


Costumo começar pela parte que acalma: são 15 anos de ortopedia, mais de 10 deles dedicados a ombro e cotovelo, e menos de 10% dos casos de manguito que acompanho chegam à cirurgia. A maior parte melhora com um plano bem conduzido.

A pergunta seguinte, sobre o PRP, tem uma resposta mais longa.


O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é um tratamento biológico feito com o sangue do próprio paciente, com o objetivo de favorecer os processos naturais de reparo do tendão.


No manguito rotador, ele já foi testado em muitos ensaios clínicos. Alguns resultados são animadores, outros nem tanto, e a regulamentação brasileira não inclui o ombro entre as indicações do procedimento (a Resolução CFM nº 2.464/2026 regulamenta o PRP no Brasil).

Neste texto, explico o que é o manguito rotador, como as lesões se apresentam, o que os estudos de fato mostram sobre o PRP (sem e com cirurgia) e o que diz a Resolução CFM nº 2.464/2026. A ideia é que você chegue à consulta sabendo o que perguntar.


O que é o manguito rotador e por que ele sofre lesões?

O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos e seus tendões: supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor. Eles envolvem a cabeça do úmero como uma "luva" e mantêm a bola do ombro centrada na cavidade enquanto o braço se eleva e gira.


Por trabalharem o tempo todo, esses tendões recebem cargas repetidas no esporte, no trabalho e em tarefas simples, como pegar algo no alto do armário. O supraespinhal costuma ser o mais afetado, porque passa num espaço estreito entre a cabeça do úmero e o acrômio.

Figura 2. Os quatro componentes do manguito rotador. O supraespinhal, acima da espinha da escápula, é o tendão mais envolvido nas lesões degenerativas.

As alterações do manguito aparecem por dois caminhos principais. No mais comum, há uma degeneração progressiva do tendão, ligada à idade, atrofia, baixa vascularização acumuladamente. No outro, a rotura surge depois de um trauma ou esforço específico, como uma queda com o braço estendido ou o levantamento de um peso grande. No blog, detalhamos as principais causas de lesão do manguito rotador.

Tabela 1. Tipos de lesão do manguito rotador

Tipo de lesão O que acontece no tendão Conduta usual de partida
Tendinopatia Tendão espessado, com fibras desorganizadas, sem rotura Ajuste de carga e reabilitação motora com fortalecimento
Rotura parcial Parte da espessura está rompida: lado articular, lado bursal ou no interior do tendão Tratamento não cirúrgico na maioria; cirurgia se houver falha ou progressão da lesão ou dos sintomas
Rotura total degenerativa O tendão se solta do osso em toda a espessura, sem trauma importante Reabilitação estruturada; cirurgia se dor e perda de força persistirem (depende muito da idade do paciente)
Rotura total traumática Rotura após queda ou esforço, com perda súbita de força Avaliação cirúrgica precoce, sobretudo em pessoas ativas

Quais são os sintomas da lesão do manguito rotador?

O sintoma mais comum é a dor no ombro ao elevar o braço, muitas vezes irradiada para a face lateral do braço, e não para o pescoço. Os sinais variam com a estrutura acometida e com a gravidade:

Tabela 2. Sintomas típicos e como aparecem no dia a dia

Sintoma Como o paciente costuma descrever
Síndrome do túnel radial Dói para pentear o cabelo, pendurar roupa, pegar objetos no alto
Radiculopatia cervical (C6–C7) Piora no saque do tênis, na natação, no supino ou no desenvolvimento
Instabilidade posterolateral do cotovelo Acorda ao virar sobre o lado afetado; não encontra posição
Plica sinovial radiocapitelar Não consegue colocar a mão nas costas ou prender o sutiã
Artrose ou lesão da cartilagem radiocapitelar Perde velocidade no arremesso ou potência no golpe

No consultório, o exame físico com testes de força de cada tendão já orienta boa parte do diagnóstico. Ultrassom (que temos no consultório) e ressonância magnética confirmam o tipo, o tamanho e a qualidade do tendão e do músculo. Esses detalhes pesam em qualquer decisão, inclusive na conversa sobre PRP.


PRP e manguito rotador: como funciona o tratamento?

O PRP é preparado a partir de uma pequena quantidade do sangue do próprio paciente. A coleta é igual à de um exame de rotina; o tubo vai para uma centrífuga, que separa os componentes do sangue por densidade, e a fração do plasma com mais plaquetas é recolhida. Como o material é autólogo, não há exposição a sangue de doadores (nosso preparo acata completamente à recomendação do sistema fechado).

Figura 3. Preparo do PRP: coleta, centrifugação, concentração e aplicação guiada por imagem, sem acrescentar medicamentos ou células.

As plaquetas concentradas liberam substâncias biologicamente ativas, entre elas fatores de crescimento e de sinalização celular que participam da cicatrização:


Tabela 3. Principais fatores de crescimento liberados pelas plaquetas

Fator Nome Papel proposto no reparo do tendão
PDGF Fator de crescimento derivado de plaquetas Atrai e estimula a multiplicação de células de reparo
TGF-β Fator de crescimento transformador beta Estimula a produção e a organização do colágeno
VEGF Fator de crescimento do endotélio vascular Participa da formação de novos vasos sanguíneos
IGF-1 Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 Favorece a atividade celular e a síntese de matriz

Na teoria, faz sentido. Na prática, o tendão do manguito tem particularidades que tornam a resposta menos previsível do que em outros locais: circulação pobre perto da inserção no osso, tração constante e, nas lesões antigas, músculo que pode ter perdido volume e sido substituído por gordura. Por isso, a pergunta certa não costuma ser "o PRP funciona?", e sim”em quem”, "em qual lesão do manguito, e comparado a quê?"


Existem ainda muitos sistemas de preparo, que variam na concentração de plaquetas e na presença de leucócitos (PRP rico ou pobre em leucócitos). Essa falta de padronização ajuda a explicar por que os estudos chegam a conclusões diferentes.


Legislação médica no Brasil: O que diz a Resolução CFM nº 2.464/2026 sobre o PRP no manguito rotador?


A Resolução CFM nº 2.464/2026, em vigor desde 15 de julho de 2026, permite o PRP como tratamento complementar em quatro condições: osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral do cotovelo e reparo do menisco.


O manguito rotador não aparece nessa lista, e a palavra ombro não consta do texto da norma. Na prática, isso quer dizer que, no Brasil, o PRP no ombro não faz parte das indicações regulamentadas, e quem receber essa proposta deve perguntar, com clareza, em que base ela é feita. Prefiro tratar o tema como ele é hoje: uma área de pesquisa ativa, com dados que merecem ser conhecidos, e não uma oferta pronta. Para uma condição que está na lista, veja o artigo sobre PRP na epicondilite lateral (cotovelo de tenista).

O PRP funciona na tendinopatia e na rotura parcial do manguito, sem cirurgia?

Quando pensamos em indicação do PRP para tratar lesão do manguito rotador para população geral, a evidência é inconsistente. e a academia americana de ortopedia (diretriz de 2025 da AAOS) resume assim: o uso rotineiro de PRP não é apoiado no tratamento da tendinopatia do manguito rotador nem das roturas parciais.

Figura 5. Cada tipo de lesão responde a uma pergunta diferente. Sem cirurgia, a evidência a favor do PRP é limitada nos três cenários.

Minha leitura: sem cirurgia, o PRP no manguito tem ajudado muitos pacientes, mas os dados não permitem prever exatamente quem vai se beneficiar.


O que temos hoje é o uso como adjuvante à reabilitação motora com fortalecimento e não como substituição. Estes casos tem se beneficiado do uso combinado de PRP e ácido hialurônico que resulta em melhora mais evidente e parte destes pacientes que havia recebido indicação de cirurgia acaba deixando de apresentar a necessidade do procedimento cirúrgico, com ótima recuperação funcional e estrutural do ombro (regressão da lesão na ressonância inclusive). veja Reabilitação e fortalecimento do ombro.


O PRP ajuda na cirurgia do manguito rotador (reparo artroscópico)?

Aqui a evidência é mais favorável, mas para um desfecho específico: o PRP aplicado durante o reparo artroscópico pode reduzir a taxa de re-rotura, sem melhorar de forma consistente a dor e a função que o paciente percebe.


Figura 6. PRP no reparo artroscópico: menor re-rotura em metanálise e em ensaio recente, sem diferença de função; um ensaio de 2024 não confirmou o benefício.

As metanálises de Hurley et al. (2019) e de Feltri et al. (2023) apontam na mesma direção: menos tendões que não cicatrizam quando se usa PRP no reparo, com diferença pequena ou ausente nos escores de dor e função.


O ensaio de Rossi et al. (2024), em roturas pequenas tratadas com PRP pobre em leucócitos na interface entre tendão e osso, repetiu esse padrão: menos re-rotura na ressonância, mesma recuperação clínica. Já Yao et al. (2024) não encontraram diferença nem na imagem nem na função em 12 meses.

Leitura para profissionais: o que cada estudo mediu

Tabela 5. Principais estudos sobre PRP no manguito rotador

Estudo Desenho Situação Principal achado
Schwitzguebel et al., Am J Sports Med, 2019 Ensaio duplo-cego, 80 pacientes Rotura intersticial, sem cirurgia; PRP x soro Sem diferença em lesão, dor ou função; mais efeitos adversos com PRP (54% x 26%)
Kuhn et al., J Shoulder Elbow Surg, 2013 Coorte multicêntrica, 452 pacientes Rotura total atraumática; reabilitação Cerca de 75% tratados sem cirurgia em 2 anos
Ye et al., BMC Musculoskelet Disord, 2025 Metanálise, 27 ensaios (8 no manguito) Tendinopatias; PRP x corticoide No manguito, PRP com menos dor aos 3 meses; sem diferença em 1 mês
Hurley et al., Am J Sports Med, 2019 Metanálise, 18 ensaios (PRP e fibrina rica em plaquetas), 1.147 pacientes Reparo artroscópico Cicatrização incompleta 17,2% x 30,5% com PRP; ganho funcional pequeno (Constant 85,6 x 83,1)
Feltri et al., Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc, 2023 Metanálise, 36 ensaios, 2.443 pacientes Cirúrgico e conservador Menos re-rotura na cirurgia; nenhum ganho clínico; sem vantagem clara no conservador
Rossi et al., Am J Sports Med, 2024 Ensaio duplo-cego, 96 pacientes Reparo de roturas < 3 cm; PRP pobre em leucócitos Re-rotura 15,2% x 34,1%; dor e função iguais
Yao et al., Am J Sports Med, 2024 Ensaio de 3 braços, 150 pacientes Reparo; PRP rico x pobre em leucócitos x controle Sem diferença de re-rotura ou função em 12 meses
Tang et al., Bioengineering, 2025 Metanálise, 6 ensaios Reparo; PRP rico em leucócitos Escores funcionais levemente melhores; diferenças pequenas

Por que os estudos não concordam?

  • Lesões diferentes no mesmo "saco": tendinopatia, rotura parcial e rotura total têm biologia e prognóstico distintos. Pacientes previamente ativos (que têm resposta muito superior aos previamente sedentários) misturados com inativos, fumantes com não fumantes, etc.
  • Preparos diferentes: concentração de plaquetas, presença de leucócitos, volume e número de aplicações variam muito.
  • Local da injeção: dentro do tendão, na bursa ou na articulação, com ou sem guia de imagem.
  • Desfecho escolhido: um estudo mede a imagem do tendão, outro mede a dor; nem sempre andam juntos.
  • Reabilitação: os protocolos de exercício raramente são padronizados entre os grupos.


Leitura do especialista

Se eu tivesse de resumir em uma frase: no manguito rotador, o PRP ainda é uma pergunta de pesquisa, e não uma resposta pronta. Minha conduta é priorizar o que tem evidência sólida, reabilitação bem feita, compensações biomecânicas e, quando indicada, a cirurgia. O tratamento com PRP é para o paciente que quer uma “tentativa” não cirúrgica para uma lesão que vai mal. Sempre busco discutir o PRP com transparência e esclarecer estes limites.

Quais são as opções de tratamento da lesão do manguito rotador?

A maioria das lesões degenerativas começa pelo tratamento não cirúrgico. A escolha depende do tipo e do tamanho da lesão, da idade, do nível de atividade e, principalmente, de como o ombro responde nas primeiras semanas.

Figura 7. Escalonamento usual do tratamento. Roturas traumáticas com perda súbita de força seguem outro caminho e merecem avaliação cirúrgica precoce.

Tabela 6. Opções de tratamento comparadas

Tratamento Objetivo Situação da evidência Comentário do especialista
Ajuste de carga e analgesia Reduzir o estímulo que mantém a dor Base de todos os protocolos Muitos pacientes melhoram nesta fase
Reabilitação motora com fortalecimento Recuperar força e controle do ombro e da escápula Boa, inclusive em roturas totais sem trauma Tratamento central das lesões degenerativas
Infiltração com corticoide Aliviar a dor para permitir a reabilitação Alívio de curto prazo Uso seletivo; evitar repetições e aplicações perto de uma cirurgia
PRP (com ácido hialurônico) sem cirurgia Estimular o reparo biológico Limitada e contraditória (considerado experimental no Br) Fora das condições da Resolução CFM 2.464/2026
Reparo artroscópico Reinserir o tendão no osso Indicado em roturas selecionadas Rotura traumática, falha do tratamento ou lesão com risco de progredir
PRP no reparo Melhorar a cicatrização do reparo Menos re-rotura em parte dos estudos; função igual Fora das condições da Resolução CFM 2.464/2026

Sobre o corticoide no ombro, uma ressalva prática: comentário editorial publicado na revista Arthroscopy (Hurley et al., 2023) lembra que as taxas de infecção são maiores quando o paciente é operado nos 3 meses seguintes a uma infiltração. Por isso, planejo as infiltrações pensando também no que pode vir depois. Mais sobre essa opção em LINK infiltração com corticoide no ombro.


Quando a cirurgia do manguito rotador costuma ser discutida?

A cirurgia entra em cena quando o tendão não tem boa perspectiva de melhorar sozinho, ou quando esperar pode tornar o reparo mais difícil. Os cenários mais comuns são a rotura traumática com perda súbita de força, a rotura total em paciente jovem e ativo, a dor e a fraqueza que persistem após reabilitação bem feita, o aumento da rotura em exames seriados e a rotura parcial extensa com sintomas limitantes.


A Resolução CFM 2.464/2026 é explícita num ponto que vale para qualquer indicação: o PRP não pode substituir uma cirurgia formalmente indicada. Se o seu caso tem indicação cirúrgica clara, a conversa deve partir daí.

Nota clínica do Dr. Guilherme Noffs

Uma paciente de pouco mais de 50 anos, praticante regular de musculação e Pilates, fez uma trilha carregando uma mochila pesada nas costas e outra bolsa à frente do corpo, com esforço repetido ao longo do percurso. Depois da viagem, surgiu dor no ombro.


O primeiro ultrassom não mostrou alterações relevantes. A ressonância magnética, feita depois, revelou uma lesão extensa do tendão supraespinhal. Pela extensão da lesão, a cirurgia era a principal opção.


Por ser fisicamente ativa, sem prática competitiva e com ótima adesão ao tratamento, decidimos em conjunto por uma tentativa não cirúrgica, com reabilitação estruturada, fortalecimento progressivo e PRP. Os sintomas melhoraram de forma gradual; após alguns meses, ela estava sem dor e tinha retomado os treinos.


Acompanhei o caso por cerca de um ano, até a alta, sem necessidade de operar e com recuperação observada também na ressonância magnética.

Este caso (assim como muitos outros casos que temos no consultório) não prova que o PRP funcione no manguito rotador. Ele ilustra que, em lesões selecionadas, o tratamento não cirúrgico bem conduzido pode ser discutido, sempre com reavaliação periódica.



Importante: trata-se de um relato individual. Resultados variam de pessoa para pessoa e não há garantia de que se repitam.

Se o PRP for discutido no seu caso, o que é realista esperar?

A resposta ao PRP não é imediata e varia muito entre as pessoas. Nos estudos, as diferenças, quando aparecem, surgem ao longo de semanas a meses. Nos primeiros dias, dor e sensibilidade no local são comuns.



O objetivo nunca deve ser apenas eliminar a dor. O que interessa é recuperar a função do ombro e sua capacidade de suportar as atividades do dia a dia, e isso depende da reabilitação também. Qualquer proposta séria de PRP vem acompanhada de um termo de consentimento que explica benefícios esperados, limitações científicas, alternativas e a possibilidade de falha, como exige a própria Resolução CFM 2.464/2026 nas condições que ela regulamenta.

Tabela 7. Riscos e efeitos esperados de uma injeção de PRP

Efeito Frequência O que fazer
Dor e inchaço local nos primeiros dias Comum Repouso relativo e analgésico simples, conforme orientação
Piora transitória dos sintomas Ocasional Costuma ceder em dias; avisar o médico se persistir
Hematoma no local da coleta ou da injeção Ocasional Compressa; resolve espontaneamente
Infecção Rara Técnica asséptica; procurar o médico se houver febre, vermelhidão ou calor crescente
Lesão de estruturas vizinhas Rara Aplicação guiada por ultrassom reduz o risco
Rigidez de movimento (capsulite adesiva) Rara Alongamento gentil para ganho gradual de movimento

Pessoas com infecção ativa, neoplasia ativa, plaquetas baixas ou distúrbios de coagulação não devem receber PRP. Uso de anticoagulantes, antiagregantes e anti-inflamatórios deve ser informado na consulta; nunca suspenda medicamentos por conta própria.


Guilherme Noffs: ortopedista de ombro e lesões do manguito rotador em São Paulo

O Dr. Guilherme Noffs é ortopedista especialista em ombro e cotovelo em São Paulo, com formação pela USP, UNIFESP e Hospital Israelita Einstein e atuação em Medicina do Esporte. São 15 anos de ortopedia, mais de 10 dedicados a ombro e cotovelo, e atendimento de lesões do manguito em todas as fases, da tendinopatia à rotura total, incluindo casos em que o tratamento inicial não trouxe a recuperação esperada.


O plano é individualizado e considera tipo e extensão da lesão, qualidade do tendão e do músculo, sintomas, nível de atividade e resposta aos tratamentos já feitos. As opções são apresentadas com seus benefícios, seus limites e o que a regulamentação permite.

Se você tem dor no ombro, perda de força ou recebeu o diagnóstico de lesão do manguito rotador, agende uma consulta com o Dr. Guilherme Noffs, especialista em ombro e cotovelo. Entenda quais opções fazem sentido para o seu caso e monte, junto com o médico, um plano para recuperar a função do ombro.

Perguntas frequentes sobre PRP e manguito rotador

  • O PRP pode tratar lesão do manguito rotador?

    O PRP foi estudado em tendinopatias, roturas parciais e como complemento da cirurgia. Sem cirurgia, os resultados mais promissores e previsíveis são para lesão parcial de baixo grau, seguida de lesão parcial profunda e não são promissores para lesões completas. Estudos científicos ainda mostram resultados inconsistentes. No Brasil, PRP para o manguito rotador é considerado experimental e não regular pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 2.464/2026).


  • O PRP regenera um tendão do manguito rotador rompido?

    Promessas nesse sentido devem acender um alerta. O que podemos afirmar é que observamos respostas excelentes em casos selecionados e em outros casos, ausência de resposta. Cada caso deve ser avaliado e discutido individualmente.


  • O PRP é indicado para rotura parcial do supraespinhal?

    A evidência atual não sustenta o uso rotineiro. A reabilitação continua sendo o ponto de partida. Casos com resultado insatisfatório das medidas tradicionais podem ser candidatos ao PRP.


  • O PRP evita a cirurgia do manguito rotador?

    Não há evidência de que o PRP evite cirurgias indicadas. Muitas roturas degenerativas melhoram com reabilitação, com ou sem injeções. O PRP pode fazer parte do tratamento e otimizar os resultados em casos selecionados. Quando existe indicação cirúrgica clara, como uma rotura traumática com perda de força ou conflito mecânico, o PRP não deve substituir a cirurgia.


  • O PRP ajuda na cirurgia do manguito rotador?

    Os estudos mais recentes mostram que o PRP parece auxiliar na menor taxa de falha do reparo por rerotura.


  • Quanto tempo o PRP leva para fazer efeito no ombro?

    Quando há efeito, ele é gradual, ao longo de semanas a meses, e não imediato. Nos primeiros dias, é comum aumento temporário da dor. 


  • Qual é o tratamento inicial da lesão do manguito rotador?

    Na maioria das lesões degenerativas, o início é ajuste de carga, controle da dor e reabilitação motora com fortalecimento do manguito e da escápula. Roturas traumáticas seguem outro caminho.


  • O PRP tem riscos no ombro?

    Por usar o sangue do próprio paciente, o risco de reação alérgica é baixo, mas existem efeitos: dor e inchaço local, piora transitória, hematoma e, raramente, infecção ou lesão de estruturas vizinhas (ainda menos prováveis co uso do ultrassom para guiar o procedimento). 


  • Todo paciente com lesão do manguito rotador pode fazer PRP?

    Não. Infecção ativa, neoplasia ativa, plaquetas baixas e distúrbios de coagulação são contraindicações. Além disso, qualquer decisão deve partir de diagnóstico preciso e de conversa franca sobre benefícios, limites e alternativas.


Referências científicas

  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.464, de 2 de julho de 2026. Regulamenta o uso de plasma rico em plaquetas como procedimento médico adjuvante no tratamento de condições osteomusculares específicas. Disponível em: sistemas.cfm.org.br.
  2. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Rotator Cuff Injuries: Evidence-Based Clinical Practice Guideline. Rosemont (IL): AAOS; 2025. Disponível em: aaos.org.
  3. Schwitzguebel AJ, Kolo FC, Tirefort J, Kourhani A, Nowak A, Gremeaux V, et al. Efficacy of platelet-rich plasma for the treatment of interstitial supraspinatus tears: a double-blinded, randomized controlled trial. Am J Sports Med. 2019;47(8):1885-92. doi:10.1177/0363546519851097
  4. Hurley ET, Lim Fat D, Moran CJ, Mullett H. The efficacy of platelet-rich plasma and platelet-rich fibrin in arthroscopic rotator cuff repair: a meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Sports Med. 2019;47(3):753-61. doi:10.1177/0363546517751397
  5. Feltri P, Gonalba GC, Boffa A, Candrian C, Menon A, Randelli PS, Filardo G. Platelet-rich plasma does not improve clinical results in patients with rotator cuff disorders but reduces the retear rate. A systematic review and meta-analysis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2023;31:1940-52. doi:10.1007/s00167-022-07223-9
  6. Rossi LA, Gorodischer TD, Camino P, Brandariz RN, Tanoira I, Piuzzi NS, Ranalletta M. Leukocyte-poor platelet-rich plasma as an adjuvant to arthroscopic rotator cuff repair reduces the retear rate but does not improve functional outcomes: a double-blind randomized controlled trial. Am J Sports Med. 2024;52(6):1403-10. doi:10.1177/03635465241239062
  7. Yao L, Pang L, Zhang C, Yang S, Wang J, Li Y, et al. Platelet-rich plasma for arthroscopic rotator cuff repair: a 3-arm randomized controlled trial. Am J Sports Med. 2024;52(14):3495-504. doi:10.1177/03635465241283964
  8. Tang P, Huang M, Xiao W, Wen T, Volotovsky P, Gerasimenko M, et al. Leukocyte-rich platelet-rich plasma's clinical effectiveness in arthroscopic rotator cuff repair: a meta-analysis of randomized controlled trials. Bioengineering. 2025;12(6):617. doi:10.3390/bioengineering12060617
  9. Ye Z, Yuan Y, Kuang G, Qiu L, Tan X, Wen Z, Lu M. Platelet-rich plasma and corticosteroid injection for tendinopathy: a systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskelet Disord. 2025;26:339. doi:10.1186/s12891-025-08566-3
  10. Hurley ET, Danilkowicz RM, Klifto CS. Editorial commentary: platelet-rich plasma injections produced a significant improvement in most patients with rotator cuff tendinopathy. Arthroscopy. 2023.
  11. Kuhn JE, Dunn WR, Sanders R, et al. Effectiveness of physical therapy in treating atraumatic full-thickness rotator cuff tears: a multicenter prospective cohort study. J Shoulder Elbow Surg. 2013;22(10):1371-9.



Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação médica individual. Diagnóstico e indicação de tratamento devem ser feitos em consulta.